quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Retrospectiva da Vida



 É no silêncio e na meditação que fazemos a análise do passado e dos caminhos que trilhámos juntos. Que nos lembramos das alegrias e das tristezas e dos erros que cometemos. É no silêncio que percebemos a iniquidade da guerra e a sorte de estarmos vivos. É no silêncio e na meditação que apreciamos as maravilhas da natureza, o milagre da vida e avaliamos os planos que partilhámos e os objectivos que conseguimos. É no silêncio que damos valor à família e aos amigos que nos deram a mão em tempos difíceis. E é na meditação e nesta análise serena que concluímos que a nossa vida valeu a pena.- in limonete.blogspot.com.

Clicar no vídeo.

sábado, 11 de agosto de 2012

Nascemos para amar-Bocage

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n'alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abismou na lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Manuel Barbosa du Bocage -
Setúbal 15 Set. 1765

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Deixa de seguir a multidão

 
Se nós nada fizermos senão de acordo com os ditames da razão, também nada evitaremos senão de acordo com os ditames da razão. Se quiseres escutar a razão, eis o que ela te dirá: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multidão! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do espírito, que só servem para amolecer as energias; deixa a ambição que não passa de uma coisa artificialmente empolada, inútil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, tão interessada em não ter superiores como em evitar até os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. Vê como de facto é infeliz quem, objecto de inveja ele próprio, tem inveja por outros.

Não estás a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para lá entrares, teria de sujeitar-te a inúmeras injúrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente às escadarias dos ricos senhores, aos seus átrios suspensos como terraços: se lá puseres os pés será como estares à beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige ante os teus passos na via da sapiência, procura os seus domínios cheios de tranquilidade, mas também de horizontes ilimitados. Tudo quanto entre os homens é tomado como coisa eminente, muito embora de valor reduzido e só notável em comparação com as coisas mais rasteiras, mesmo assim só é acessível através de difíceis e duros atalhos. A via que conduz ao cume da dignidade é extremamente árdua; mas se te dispuseres a trepar até estas alturas sobre as quais a fortuna não tem poder, então poderás ver a teus pés tudo quanto a opinião vulgar considera eminentíssimo, e desse ponto em diante o teu caminho será plano até ao supremo bem.

Séneca

domingo, 23 de outubro de 2011

Porque escrevi isto?

Às vezes tenho ideias felizes

Às vezes tenho idéias felizes,

Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...


Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...


Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...


(Álvaro de Campos, in "Poemas" )
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pedras no caminho?

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Não existo

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim.

Álvaro de Campos (heterónimo de F. Pessoa)

domingo, 17 de julho de 2011

Incertezas

Queria fazer-te um poema
Mas quedei-me nas incertezas.
Queria sorrir
Mas os lábios impugnaram a intenção.
Queria cantar-te em voz alta
Mas sobrepôs-se a envolvência do silêncio!


Quis abraçar-te
Mas fiquei imóvel
Com receio de que te risses.
Resta-me sonhar
Que o meu peito se envolveu
Na carícia dos teus seios.


Autor: Aníbal José de Matos

domingo, 19 de junho de 2011

SE

SE consegues impor a calma
quando, ao teu lado, todos a perdem
censurando teu nobre esforço
para mantê-la


SE não te cansas de esperar,
continuas simples junto de reis
e contra a calúnia não calunias
evitando responder
com a fúria do adversário
sem te mostrares ingénuo
nem presumires de sábio
ou de ousadia em excesso


SE não te deixares escravizar
pelo sonho
nem contares demasiado
com a luz da tua inteligência


SE não te perturbas demasiado
com o triunfo ou a derrota
mas, serenamente ,com coragem,
olhas a verdade atraiçoada,
caluniada e espezinhada
os teus ideais caídos por terra
e, de novo os ergues
em mais profundos alicerces
proclamando com firmeza
essa verdade


SE perdes tudo quanto juntaste
e recomeças a trabalhar sem um ai ,
um queixume ,uma lágrima,
e, sorrindo,
fazes das tripas coração,
reúnes todas as energias dispersas
e fortificas a tua vontade
para continuares até á exaustão


SE consegues ser humilde
quando uma multidão te exalta
SE amigos ou inimigos,
não conseguem ofender-te
e dás por igual,
a todos os que procuram
o teu esforço
sem fazer distinção de pessoas


SE um minuto
vale para ti sessenta segundos
cheios de vida
apesar das contrariedades duras
que te tomem,
ainda bem que nasceste
o mundo será teu
e tu serás um HOMEM


RUDYARD KIPLING





quinta-feira, 16 de junho de 2011

Carta de Amor

Gosto de Ti meu amor
Tu és tudo para mim:
Tu não vês que é grande a dor
de sentir-te o desamor
e não deves ser assim?


Tenho saudades de Ti
do teu corpo magestoso,
dos dias em que senti
o teu seio generoso!...


Diz-me, só, que já estás farta
de mim, das minhas ideias.
Escreve ao menos uma carta
a dizer que sou tarata,
que amas outro que me odeias.


Diz-me que não me queres ver
ou conta-me os teus desejos:
se tal carta receber,
juro-te que antes de a ler
irei cobri-la de beijos...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pedaços de África

SOLITÁRIO

Doze meses me separam da largada
Do porto de Lisboa, da Lusa Atenas,
Mas ainda outros tantos da chegada
Me faltam p’ra regressar sem minhas penas…


Mais doze meses terei que respirar
Este ar tão quente, soturno e pegajoso;
Esse dia no entanto há-de chegar
E por ele vivo, sofro, estou ansioso…


Entrementes eu aqui sem companheira,
Sem ter mulher dedicada à minha beira
Ou, talvez, só por simples contradição


Revolta-me este estado celibatário
E cada vez mais me sinto SOLITÁRIO
Nestas paragens, ignotas, do sertão…


(Escrito em Angola em 17/07/1965)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Cartas de Amor

Todas as cartas de amor săo

Ridículas.

Năo seriam cartas de amor se năo fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Tęm de ser

Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que săo

Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que săo

Ridíículas

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

Săo naturalmente

Ridículas).

Álvaro de Campos (1935)

sábado, 30 de abril de 2011

Poema em linha recta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,


Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,


Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,


Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;


Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?


Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?





quinta-feira, 28 de abril de 2011

Nevoeiro


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.


Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


É a Hora!

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aniversário de Almeida Garrett


João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu em 1799 no Porto e faleceu em Lisboa em 1854 .
É provavelmente o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários

DESTINO

Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?
Quem diz à planta «Floresce»;
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?

Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel há-de ir pedir?

Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai! não mo disse ninguém.
Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino
Vim cumprir o meu destino...
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.

Almeida Garrett
Pós-texto: último poema de A.Garrett

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Operário em Construção

Composição: Vinicius de Moraes
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Os grandes filósofos clássicos

O pensamento dos grandes filósofos clássicos

O Século XXI pode compreender-se melhor através do pensamento dos grandes filósofos clássicos. Vejamos:
“Hoje em dia, a maior parte das pessoas, prefere a vida do consumismo e procura o prazer ou a riqueza ou a fama”. Quem escreveu isto? Foi Aristóteles há 2.500 anos.
Ou o que me diz a isto?
Os governantes que estão no poder porque juntaram uma fortuna tão considerável, não querem proibir por lei a extravagância dos jovens (pessoas) e impedi-los de malbaratarem o seu dinheiro e de se arruinarem. A sua intenção é fazerem empréstimos a essas pessoas imprudentes ou, comprando-lhes os seus bens, esperarem aumentar a sua própria riqueza ou influência… Aqueles que ganham muito dinheiro continuam a injectar o ferrão tóxico dos seus empréstimos, sempre que podem.

Foi Platão e, parece surpreendentemente familiar. Neste mundo há revoluções e a história pode colocar grandes distâncias a separar povos e lugares. Mas há bastantes coisas que permanecem constantes, sobretudo no reino das grandes verdades da vida e, podemos percebê-las bem.”

(Do livro: PLATÃO de Mark Vernon, cuja leitura aconselho)-O itálico é meu.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pensamentos

(André Breton)

Pensar não é crime; crime é não querer que os outros pensem...(anónimo).

"Não é o mêdo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação"- André Breton.

sábado, 27 de novembro de 2010

A sinceridade do poeta

O poeta superior diz o que efectivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir. Nada disto tem que ver com a sinceridade. Em primeiro lugar, ninguém sabe o que verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se deve sentir nessas ocasiões. A maioria da gente sente convencionalmente, embora com a maior sinceridade humana; o que não sente é com qualquer espécie ou grau de sinceridade intelectual, e essa é que importa no poeta. Tanto assim é que não creio que haja, em toda a já longa história da Poesia, mais que uns quatro ou cinco poetas, que dissessem o que verdadeiramente, e não só efectivamente, sentiam. Há alguns, muito grandes, que nunca o disseram, que foram sempre incapazes de o dizer. Quando muito há, em certos poetas, momentos em que dizem o que sentem. - Fernando Pessoa

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Às vezes falando; outras vezes, pensando...




"Não sou político; sou principalmente um individualista. Creio na liberdade; nisso se resume a minha política...Sou pelos homens; essa é a minha natureza."

(Charlie Chaplin)

(In blogue Limonete)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O indivíduo e a Sociedade

Qual a base da sociedade, o indivíduo ou a família?

Sempre aprendemos que o meio é quem molda e até define o destino dos indivíduos, que o homem é produto do meio, ou como diz Almeida Garrett... o homem é ele e suas circunstanciais..., a maneira como Krishnamurti , enxerga o individuo e a sociedade, nos coloca em uma posição de contraposição a esta visão ocidental , que parece norteada pela filosofia hegeliana , que fora do estado o individuo não existe...então veremos como este pensador indiano define a sociedade e o individuo.

A vida em sociedade sempre é originária de problemas, onde os indivíduos têm que ter a capacidade de administrar os conflitos próprios e os sociais, bem como saber lhe dar com as frustrações e sonhos. A grande questão é que o problema, dentro de uma sociedade sempre se renova, como os problemas são originados nos seres sociais e como todo ser social e transitório e mutável e lógico que os problemas dentro de uma sociedade também sejam móveis e se renovem a cada momento em um constante vim a Ser heracletiano, as crises , mesmo sendo colocadas de forma repetitivas , da ao individuo a ideia que é sempre a mesma , que é uma repetição..uma reinvenção incessante da roda...mas toda crise é nova e tem sua própria dinâmica..e só uma mente aberta e fresca e capaz de perceber o dinamismo das crises sociais.

O que podemos mencionar a partir desta colocação é que a sociedade é fruto das intenções internas são individuais de cada ser social, que os conflitos e lutas de cada Ser, e desencadeado e se desenrola no campo de batalha que se chama sociedade, a sociedade é fruto destes conflitos individuais, sem os conflitos e sonhos dos indivíduos qualquer sociedade está fadada ao esquecimento ao fracasso. Todos os grandes impérios quando alcançaram o Máximo que buscavam , quando as necessidades de seus SERES SOCIAIS, já estavam, plenamente satisfeita , onde os indivíduos não precisavam mais se preocuparem com sua sobrevivência , a sociedade se tornou estática e sem dinamismo social..levando estes grupos ao total esquecimento e destruição...podemos dizer que temos aqui um argumento plausível sobre a ascensão, apogeu e queda dos grandes grupos sociais. O que nos leva a outro ponto de vista, a sociedade não cria o individuo ou molda este, na verdade o comportamento do individuo é que molda uma sociedade, uma sociedade e fruto de comportamentos individuais, de sonhos decepções de seus indivíduos, por exemplo, a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, levou toda uma nação a se comportar mediante seu comportamento individual, um único homem, com seus sonhos, loucura e frustrações moldaram uma realidade social que encaixasse em seu sonho de poder, de sociedade, e até de individuo, mas não só Hitler, a história está cheia de exemplos, Jesus, Maomé, Napoleão Bonaparte, Sócrates e Alexandre o grande, são exemplos de que o comportamento do individuo pode determinar o estado social de um grupo, ou até mesmo de uma nação, como afirma Krisrnamurt, - O MUNDO É O QUE VOCE É – o mundo seria fruto de nossos próprios pensamentos, um individuo que seu interior e uma local de conflito, sofrimento e desesperança, não existe nenhum lugar na terra que fará ele enxergar um paraíso, ele reproduz no mundo exterior nada mais nada menos que seu mundo interior, antes de sermos afectado pela sociedade somos afectados por nós mesmos.

Sabemos sobre tudo que o homem vive em uma preocupação perpétua, dando razão ao pensador alemão, que pregava A VIDA E DOR E TÉDIO- onde estamos apenas sobrevivendo neste inferno dantesco e não e difícil notar estas verdades , estamos sempre preocupados com nossas dividas , buscando adquirir mais conforto, mais amor, mais beleza, estamos sempre preocupados com nossas dividas, nosso trabalho, o que nos lança a um PRESENTE PERPÉTUO, não estamos vivendo no presente, mas estamos sempre vivendo ou no passado, ou no futuro, a sociedade de consumo que vivemos nos levou a esta loucura a este presente perpétuo, estamos sempre buscando algo que nunca iremos atingir principalmente nos que vivemos na era do avanço tecnológico, nunca teremos uma paz... Pois invertemos a lógica que por séculos moveu a humanidade, - APARECENDO A NESCESSIDADE SE CRIA O PRODUTO-, nos dias de hoje e o contrario – CRIE O PRODUTO E DEPOIS ESTIMULE O DESEJO, A NESCESSIDADE NÃO É IMPORTANTE- se olharmos em nossas casas veremos que 80% do que acumulamos foi fruto de nossa insatisfação temporária com nós mesmos.

Podemos nos perguntar e as sociedades socialistas que pregavam que todos os indivíduos devem ter seus desejos igualmente atendidos, por que não deram certo? Por um motivo simples, os socialistas poderiam entender muito bem de economia e política, mas não entediam nada de psicologia humana, pois desde que o mundo e mundo sabemos que o que move um grupo social e o que grande parte das religiões tentam apagar no ser humano, ou seja, o nosso traço de inveja,... Qualquer um que tiver um pouco de atenção com o comportamento humano vera que o que move a sociedade e a inveja, em qualquer grupo social a inveja e o motor de evolução, em uma igreja, no trabalho, no amor, no desporto, o que todos estão querendo? Chegar aonde o outro chegou, tomar o que o outro conquistou possuir um objecto melhor que o de seu oponente, obter uma perfeição estética melhor que o outro. Mas isto é importante em qualquer sociedade, sem a inveja o indivíduo se torna estático e sem vida, consequentemente a sociedade se torna apática e esta fadada ao fracasso, estimular a inveja nos indivíduos em um grau saudável é importante e fundamental para qualquer grupo social, pois sem a inveja os indivíduos deixam de ser criativos , deixam de buscar a suas próprias superações se dão por satisfeito com sua situação actual, a inveja é que leva o individuo a superar suas limitações, e que faz nascer sistemas políticos e ideológicos, religiosos e económicos. O que acontece quando deixamos de ser criativos? A sociedade passa a ser formada por indivíduos copistas, passamos a copiar outros indivíduos que já copiaram de outros tantos, desta forma a originalidade morre a criatividade desaparece, pois ao copiar não somos nada nem ninguém este e um fenómeno que denominasse MIMETISMO, uma sociedade mimética em breve deixará de ser uma sociedade para ser apenas um aglomerado de pessoas... Mas vale ressaltar que uma pequena dose de imitação e importante quando se trata de pequenos grupos sociais, por exemplo, à família, formamos nosso carácter nossos valores imitando os membros de nossa família, um grupo religioso só tem coerção devido o fenómeno mimético, o que prova que o mimetismo só é fatalístico para a grande sociedade, mas é fundamental aos pequenos grupos sociais.

A grande característica das sociedades miméticas e a velocidade que as crises surgem, o homem moderno cria o problema e depois se pergunta o que fazer com ele, por exemplo, criamos o automóvel, nos tornamos homens sapiens motorizados, e não paramos para pensar que ao ver um individuo andar de carro o outro também quis, e o próximo também se achou no direito de ter um automóvel, e o mimetismo foi sendo reproduzido socialmente, agora estamos diante dos problemas ambientais provocado em parte pela queima dos combustíveis fosseis, e não sabemos como resolver esta crise. O problema e que nossas acções diante de uma crise e determinada pela nossa ideologia, pelas nossas crenças, um homem que foi criado dentro dos valores materialistas economicista, não estará preocupado com a questão ambiental, ai está a prova de que o individuo age sobre a sociedade, que o eu do individuo em certas questões e mais forte que o eu da sociedade, milhares de seres humanos são reféns do desejo e dos conflitos e desejos de um pequeno grupo de homens animais. Esta realidade nos leva a uma questão fundamental, -POR QUE EXISTE DINSTIÇÃO DE HOMEM – HOMEM? Por que sou alemão, e ele italiano? Por que sou europeu e ele africano? Por que nos fomos os únicos animais que criámos distinções entre nós mesmo? Esta divisão e que tem levado o homem a guerras e mortes, pois se sou europeu ou norte americano tenho o direito divino de poluir de conquistar de fazer matanças legalizadas, mas se sou sul americano ou africano tem o direito divino de aceitar os desígnios dos escolhidos de Deus. A sociedade está cega , estes valores ideológicos são errados , são inexistentes, pois um individuo maduro e de mente aberta percebera que antes de todos estes títulos devemos respeitar o titulo de SER HUMANO, americano, brasileiro , católico, muçulmano, judeu ou árabe, são apenas títulos ideológicos que tem levado o homem a guerras e mortes , precisamos repensar esta divisão de homem – homem, como dizia o poeta, - ou aprendemos a viver todos como irmão ou morreremos todos juntos como animais - a divisão leva a conflitos.

As questões levantadas no texto nos levam a perguntar será que o individuo e mesmo determinante na sociedade? Sim podemos dizer que sim, o grande problema e que os indivíduos vivem no campo do IDEAL e esquecem de viver no campo do REAL, nossa realidade só pode ser alterada quando tomamos consciência de nossa vida verdadeira, quando criamos um dialogo com nos mesmo, quando temos o que Sócrates chamou de auto-cuidado, quando nos tornamos responsáveis por nos mesmo quando assumimos o destino de nossas vidas em nossa própria mão, quando somos capazes de pensar por nos mesmo, e não pensar a partir do pensamento de outro individuo, lideres são importante em uma sociedade, mas ó líder mais importante somos nós mesmos, só quando obtemos vitórias sobre nós mesmos é que somos grandes e que somos heróis. O início e o fim está em nós mesmos; buscar coisas e sentimentos fora , nos leva à ilusão, à solidão e ao sofrimento.

BIBLIOGRAFIA

Palestra de Krishnamurti realizada em Ojai, Califórnia, EUA, 1944)

(Professor Euzébio Costa)

Nota: um tema interessante, que ainda hoje continua em aberto e que tem outras abordagens- ver aqui.
Pessoalmente entendo que o homem é um produto do meio e que a família é determinante na formação do seu caracter. Se a sociedade no seu todo, age de acordo com a inter-ligação das componentes, individuo familia, na defesa dos seus interesses, eis a grande questão, porque existe o poder, sob as mais subtis formas e este, sim, é que pode fazer a grande diferença.